O terapeuta de Reabilitação Vocal




Não é raro encontrar fonoaudiólogos inseguros quanto ao trabalho de reabilitação vocal. Creio que por um motivo muito simples: não há fórmulas. A técnica que usamos com um paciente pode ser um “desastre” com outro que apresente a mesma patologia de voz.

Eu mesma, nas poucas oportunidades que tive de atender clinicamente e nos workshops que ministrei em igrejas, deparei-me com situações em que questionei minha própria competência.

Que somente a prática pode dar ao fonoaudiólogo a sensação de fazer um bom trabalho, todos nós sabemos. Porém, como saber se a minha postura e o meu papel como terapeuta corresponde ao que se é esperado para uma boa reabilitação vocal do meu paciente? Como posso ter certeza de que tenho os pré-requisitos para começar?

1- Após conhecer os tipos de abordagens existentes, o terapeuta deve escolher qual a que melhor se adapta ao seu paciente. Sua abordagem visa à prevenção, higiene vocal, rendimento vocal máximo, reversão da disfunção/alteração, compensação/adaptação às alterações definitivas ou aceitação das novas possibilidades vocais? E também é necessário perceber se o paciente reúne condições mínimas de participar do processo que o terapeuta propõe.

2- Por mais que a queixa do paciente pareça insignificante é necessário considerá-la. Respeitar o paciente e sua fala é fundamental para começar bem e ter um bom resultado.

3- O terapeuta precisa ficar atento para evitar posturas extremas de ditador, mas ao mesmo tempo evitar ser complacente demais com as dificuldades encontradas. Uma atitude de companheirismo não significa tirar do paciente a própria responsabilidade sobre o resultado da reabilitação vocal. O paciente deve participar tão ativamente quanto o terapeuta. Caso contrário será fácil o terapeuta se frustrar com seu trabalho e o paciente se decepcionar com a terapia.

O fonoaudiólogo que trabalha com reabilitação vocal deve ter bem claro que o paciente tem grande responsabilidade pela terapia e deve ser informado sobre isso. 

Trabalho muito com a informação. Explicar em palavras simples o funcionamento normal do aparelho fonador e até mesmo utilizando ilustrações pode ser uma forma de ajudar o paciente a entender o quanto sua participação ativa no processo é essencial.

Espero que essas dicas te ajudem a não desistir!

Bibliografia:
BEHLAU, Mara & PONTES, Paulo. Avaliação e Tratamento das Disfonias. Editora Lovise: SP, 1995.

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