Técnica Vocal







  • "Exercícios de Respiração: a respiração deve ser treinada independentemente do canto. Os exercícios respiratórios devem ser feitos diariamente, durante todo o período dos estudos vocais, para desenvolver e agilizar a musculatura respiratória, pelo menos durante vinte minutos várias vezes ao dia. Depois de alguns meses, a pessoa terá adquirido uma respiração mais ampla, realizada sem esforço. O treinamento será contínuo durante toda a carreira do cantor, mesmo que seja apenas alguns minutos por dia, associada ou não à ginástica corporal.
  • Exercícios de Vocalização e de Articulação: por ser o sopro um dos elementos da técnica vocal, todos os vocalizes serão precedidos, no início dos estudos, por exercícios de respiração correspondente ao vocalize escolhido. Quando lentos, a respiração será relativamente lenta e profunda. Se forem rápidos, ela será breve e menos importante. De todo modo, é preciso ficar em posição fonatória durante as retomadas de ar. O objetivo principal dos exercícios é o de conseguir a coordenação do conjunto dos mecanismos, partindo da tessitura e em seguida sobre toda a extensão vocal. Temos então:
  1. exercícios para o grave e o médio - se no grave o aluno tem dificuldades para usar os ressonadores, será interessante usar as vogais nasais, precedidas, em certos casos, de uma consoante nasal. Mas, atenção, nasalizar não significa colocar a voz nas fossas nasais. E sim contar com a ajuda das ressonâncias detrás do nariz para aliviar a laringe, enriquecer as sonoridades e evitar a voz sombria. Não confundir com o falar fanhoso. Para o grave e o médio, as emissões com a boca fechada são muito usadas pelos professores de canto, pois permite situar melhor as sensações vibratórias.
  2. exercícios de articulação das vogais - as vogais devem ser agrupadas levando-se em consideração seu parentesco acústico, seu comportamento interno, que se concretizam por modificações extremamente finas do conjunto dos órgãos vocais assim como da pressão expiratória, tanto para as notas sustentadas, como para a estabilidade e homogeneidade do som.
  3. exercícios de articulação das consoantes - o uso das consoantes nasais permite manter vogais e consoantes sobre o mesmo plano de ressonância, portanto, une bem os sons entre si e facilita a colocação em posição fonatória. Para grave e médio, é preferível usar na seguinte ordem: nh, n,m, do grave ao agudo e inversamente. Se subir de meio em meio tom, o volume das cavidades de ressonância não está suficientemente ampliado, devemos usar a consoante "l" sem colocar a ponta da língua no lugar habitual, mas apoiando-se de dois a três centímetros para trás no palato.
  4. exercícios de preparação para o ataque - a nota mais importante, nos exercícios ascendentes é sempre a que precede a nota aguda. Ela deve ser colocada de tal modo - isto é numa boa zona de ressonância - que não haja nada mais além de juntar a pressão e arredondar a sonoridade passando-se sobre a nota superior. Cada vez que o ataque é mal realizado, é porque as cavidades supra-laríngeas não foram preparadas de antemão, que a pressão foi mal regulada, o que torna impossível uma boa ressonância.
  5. sons ligados - estes exercícios devem ser precedidos da prática de respiração que permite sentir a importância da pressão do sopro, cada vez que se aumenta sua intensidade. O fato de subir de uma nota à outra ou de modificar a intensidade, leva a sustentar e alargar as cavidades supra-laríngeas. Mas, para que elas não se fechem novamente, e para que elas não haja modificação do timbre, é necessário imaginar que elas continuam a alargar-se e que a pressão é mantida constantemente. Não se trata de uma pressão rígida, ao contrário, uma atividade constante que modela o som, o sustenta e trabalha-o para manter a afinação, sem modificar a qualidade da voz, apesar das mudanças de intensidade. Vemos assim como a sustentação abdominal é importante.
  6. exercícios para treinar a mobilidade e a agilidade - permitem aos órgãos vocais retomar, normalmente, sua função. À laringe de reencontrar sua mobilidade com a condição de que a língua e a mandíbula estejam flexíveis, que a respiração se adapte às mudanças de altura e de intensidade e que as cavidades de ressonância se modifiquem ao mesmo tempo. Apesar destas flutuações, a sensação de tremor vibratório deve situar-se sempre acima do véu palatino.
  7. exercícios para fortificar as pregas vocais - quando a voz está destimbrada, velada em toda sua extensão, as pregas vocais coaptam mal e deixam passar o ar. Esses exercícios devolverão a elas a tonicidade. Se a musculatura se mantiver dócil, ágil, leves contrações abdominais serão involuntariamente produzidas a cada ataque. Mas se estas contrações se localizarem na parte superior da caixa torácica é por que a respiração está invertida.
  8. exercícios de agilidade preparando para o trinado - para realizá-los facilmente é necessário sentir a lainge móvel, ágil, livre para executar rapidamente os grupos, as notas breves. O professor pode ajudar o aluno de duas maneiras. Primeiro, mostrando ele mesmo, como a laringe sacode durante o trinado. Em seguida, colocando o dedo médio sobre o pomo de Adão do aluno e fazendo movimentos de baixo para cima para facilitar as sacudidelas laríngeas.
  9. exercícios de preparação de texto - chega um momento onde é preciso abordar os textos. É um problema delicado que exige a resolução da qualidade do timbre, da amplitude vocal, da homogeneidade, do alcance, da afinação, associadas às mudanças de intensidade, de extensão e de duração.
Após ter assimilado a técnica, restará ao cantor abordar as obras clássicas, o repertório contemporâneo e ter a sabedoria de recusar tudo aquilo que estiver fora do seu alcance e de suas possibilidades vocais."
(DINVILLE, Claire. A técnica da voz cantada. RJ: Enelivros, 1993).

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