A voz cantada

"A voz e a personalidade estão estreitamente relacionadas e são inseparáveis já que traduzem o ser humano na sua totalidade." (DINVILLE, 1993).


O sopro é o instrumento do cantor. A voz é o único instrumento capaz de unir a música ao texto.

Através do canto pode-se expressar sentimentos, emoção, pensamentos etc.

Há uma íntima relação entre corpo e voz. Uma pessoa estressada, por exemplo, pode demonstrar seu estado através dos pontos de tensão corporal e também através de um tremor vocal. É comum observar em programas de calouros um cantor nervoso tremer mãos e voz. O domínio do sopro, portanto, é primordial para uma boa execução.


QUALIDADES DA VOZ

Através do controle auditivo, o cantor pode mudar a qualidade de sua voz. Porém, é necessário uma técnica vocal aprimorada, movimentos precisos e boa percepção com consequente coordenação muscular. O professor de canto é o profissional indicado para este tipo de trabalho. Porém, o fonoaudiólogo  pode contribuir para prevenir distúrbios vocais, evitando que a carreira do cantor seja interrompida. As qualidades vocais são:

  1. Altura - depende da pressão expiratória, isto é, da modulação do grau de tonicidade da musculatura abdominal, da posição da laringe (modificada pelo volume das cavidades supra-laríngeas), do fechamento glótico, da frequência de vibrações das pregas vocais e do deslocamento da sensação vibratória.
  2. Intensidade - depende da pressão sub-glótica, ou seja, da sustentação abdominal. Ela é percebida como uma energia transmitida aos poucos ao conjunto das cavidades de ressonância e músculos faringo-laríngeos. O cantor deve ter consciência do dispêndio muscular requerido pela intensidade. Aumenta com a tonicidade e está associada à altura tonal.
  3. Timbre - resultado dos fenômenos acústicos das cavidades supra-laríngeas. Sua riqueza está no uso dos ressonadores, da pressão sub-glótica, da posição da laringe, do fechamento glótico e da qualidade das mucosas. O timbre pode ser transformado com a utilização de certos métodos.
  4. Homogeneidade - é uma qualidade essencial. Depende da distribuição das zonas de ressonância e da fusão das diferentes sonoridades vocais. Só pode ser realizada pela harmonização dos órgãos fonadores.
  5. Afinação - anda ao lado da homogeneidade. A pressão e a tonicidade adequadas vão determinar uma boa coaptação de pregas vocais, assim como uma acomodação das cavidades de ressonância. É regulada pelo domínio de um conjunto de sensações associado a um controle auditivo rigoroso. Alguns cantores cantam "baixo" porque não sustentam o sopro devido a uma hipotonia muscular. Outros cantam "alto" por um excesso de pressão ou porque o sopro acaba rápido demais (falta coordenação pneumofonoarticulatória).
  6. Vibrato - caracteriza-se por modulações de frequência + vibrações sincrônicas da intensidade e da altura, que tem influência no timbre. Tem papel estético porque dá riqueza, leveza e emoção à voz. Só se adquire à medida que o cantor domina a técnica vocal e deve ser usado na hora certa. Não pode ser confundido com finas tremulações da musculatura laríngea e respiratória (vibrato = 5 a 7 vibrações por segundo; acima disso, é voz trêmula). Ele não existe nas crianças.
  7. Alcance da voz - está relacionado com a energia gasta e se traduz pela consciência de tonicidade; sensações proprioceptivas e jogo acústico do timbre. É a técnica vocal segura que permite não perder o domínio da voz (uma vez que é o instrumento mais difícil de se controlar). A condição essencial para que a voz tenha alcance é o controle das sensações internas (sensações musculares e de vibração).
"Antes de tudo, o que importa é poder realizar uma distribuição do trabalho muscular, bem como adotar as corretas atitudes orgânicas, a fim de obter uma voz homogênea que possua, desde a saída dos lábios, o máximo de riqueza acústica."
(DINVILLE, Claire. A técnica da voz cantada. RJ: Enelivros, 1993).





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