O jogo na Psicopedagogia

O Jogo na Psicopedagogia



O jogo pode ser utilizado no contexto psicopedagógico durante a avaliação assim como na intervenção. Cria-se para isto o que Winnicott denomina espaço transicional. Ou seja, um espaço de confiança, de criatividade, que transita entre o crer e o não crer, entre o dentro e o fora.

O jogo é um processo através do qual se constrói o saber e está relacionado ao desejo, ao prazer.

O objetivo do trabalho psicopedagógico é ajudar a recuperar o prazer perdido de aprender e a autonomia do exercício da inteligência. Num primeiro momento, avalia-se a dinâmica da aprendizagem. Sendo importante descobrir como a criança joga e depois, em que condições. Observa-se o processo de construção do símbolo, de assimilação-acomodação, a capacidade de argumentação, construção de história etc.

O que importa é a relação do sujeito com o conhecimento e o saber. Para chegar ao seu objetivo o psicopedagogo deve ter cuidado com suas atitudes e sua fala diante da criança.


O jogo de regras constitui um material importante a ser utilizado. Através dele o psicopedagogo pode analisar os meios utilizados pelo sujeito ao jogar, aproximando-se do mundo mental que determina essas ações.

Em todo jogo de regras há uma situação-problema (objetivo do jogo), um resultado e um conjunto de regras que limitam.

Erroneamente, o jogo em ambiente escolar foi estigmatizado e é utilizado, muitas vezes, de modo restritivo. Muitos pensam que o jogo só é útil no ensino da Matemática. Mas, o contexto lúdico favorece a criatividade, afirmação da personalidade, o domínio de si etc.

Para Piaget, por meio do lúdico a criança assimila ou interpreta a realidade a si própria (inclusive a realidade intelectual).

Existem jogos lógicos que estimulam a construção das estruturas lógicas importantes para a aprendizagem da matemática e da leitura. Estão envolvidos nesses jogos as noções de seriação, conservação e classificação.

Ao propor um jogo e conversar sobre as ações da criança, analisando suas jogadas, permite-se que ela enriqueça suas estruturas mentais e rompa com o sistema cognitivo que determinou os meios inadequados ou insuficientes para a produção de determinado resultado.

Além de tudo isso, há o aspecto afetivo implícito no próprio ato de jogar e inseparável do aspecto cognitivo.

Concluindo, o jogo não é apenas brincadeira (no sentido de entretenimento). Ele é um processo de aprendizagem (dentro e fora da escola), um meio de avaliação, habilitação e reabilitação, tanto na intervenção psicopedagógica como fonoaudiológica, psicomotora e psicológica. Basta saber utilizá-lo nas diferentes necessidades do sujeito e em seus momentos específicos. Infelizmente, alguns profissionais utilizam o jogo como um momento para seu próprio relaxamento ou para entreter enquanto faz seus apontamentos ou outra coisa. O que é desperdício de tempo e energia.


Referências bibliográficas:
BRENELLI, Rosely. O jogo como espaço para pensar. Papirus: Campinas, 2003.
ALENCAR, Eunice. Novas contribuições da Psicologia aos processos de ensino e aprendizagem. Cortez, 1992.
FERNANDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada. Artmed: PA, 1991.

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