O jogo e a criança

O Jogo e a Criança



Quase toda atividade da criança é jogo. Até mesmo quando está mamando. Brinca com o bico do peito ou com a mamadeira, tentando experimentar novas sensações.

Porém, esse jogo, a princípio sem significado, tem o objetivo de desenvolver uma função. Por isso, Bühler chama de jogos funcionais (Chateau, 1987). Esse movimento evolui e vai propiciar o surgimento e desenvolvimento da linguagem e da função motora.

Na Fonoaudiologia observamos muitas das crianças que chegam ao consultório com distúrbios de fala ou linguagem apresentam alguma alteração psicomotora.

A relação da criança com o objeto também torna-se importante para o desenvolvimento da criança. O modo como o manipula, como atua frente a mais de um objeto, o tipo de linguagem utilizada (verbal, gestual ou ambas), se simboliza etc. podem não só mostrar a fase de seu desenvolvimento como a qualidade. Além de indicar prováveis deficiências, carências ou competências, percepções desenvolvidas e indica por onde começar a estimulação em caso de terapia.


O jogo envolve emoção, prazer e poder. Também tem suas regras. Na reeducação psicomotora, por exemplo, ainda que possa fazer "tudo" no espaço terapêutico, a criança tem limites como não machucar o outro, tempo, espaço delimitado etc. Portanto, este "poder" diz respeito ao simbólico.

Piaget classifica o jogo como: jogo motor (a criança se apropria do objeto); jogo simbólico (a criança transforma esse objeto de acordo com sua vontade); jogo de regras (relação com o outro sujeito).

Alicia Fernandez (2001) fala também do jogo teatral que envolve esse jogo simbólico. Ao colocar diante da criança opções de objetos variados ela poderá escolhê-los de acordo com sua vivência mais marcante e dramatizar repetindo frases inteiras que ouve frequentemente. Interpreta o papel do outro (normalmente de quem exerce o poder) e manipula os objetos dando-lhes outros papéis (inclusive o seu próprio). Dramatiza com tal fidelidade ao texto original que muitos adultos ficam apavorados, outros levam um tempo para reconhecer a cena.

O jogo de regras é o jogo do sujeito sociável. Envolve lógica, ética, regras e sanções. Essa interação social é importante pois, a criança é um ser social. Os jogos em grupo estimulam tudo isso e mais: a apropriação do conhecimento.

Kishimoto (1994), cita estudos indicativos de quatro valores determinantes da qualidade de jogos infantis: o experimental (deve permitir a manipulação); o da estruturação (ajuda a construir a personalidade); de relação (proporciona o contato com o outro); lúdico (estimula a ação lúdica).

Na educação infantil o jogo tem a função de desenvolver a linguagem, o pensamento, a comunicação e a ação. Na terapia Fonoaudiológica, pode ser usado individualmente ou em grupo, desde a avaliação até a habilitação/reabilitação. Na verdade, em alguns casos só consegue-se intervir através do jogo.

Referências bibliográficas:
CHATEAU, Jean. O jogo e a criança. Ed Summus, SP: 1987.
LACOMBE, Anna Maria. Acender um fogo. Ed. Pró-Saber, RJ: 2002.
SMOLE, Kátia. A matemática na educação infantil. Ed. Artmed, Porto Alegre: 1996.

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