Fonoaudiologia X Psicopedagogia




Fonoaudiologia X Psicopedagogia

            A Fonoaudiologia, apesar dos seus trinta anos de reconhecimento, ainda é uma profissão pouco compreendida e valorizada. Talvez por culpa dos próprios profissionais que não souberam defender seu espaço e conquistar o respeito da sociedade. Ou talvez por conta do crescimento do saber, ciência e tecnologia, para o qual o fonoaudiólogo estava pouco preparado. Não importa muito os motivos.
            Hoje, variadas especialidades e inúmeras possibilidades obrigam o fonoaudiólogo a ser cada vez menos generalista e ter cada vez mais pensamento científico.
            Em meio a esse crescente de informações surgem no mercado de trabalho novas profissões que poderiam ser acusadas de invadirem um espaço já tão difícil de ser conquistado. Este é o caso da Psicopedagogia. Mas, afinal, a proposta da Psicopedagogia é realmente tomar o espaço da Fonoaudiologia? Há espaço para as duas profissões?
            Para responder a essas questões é necessário entender melhor a Psicopedagogia e seu objeto de estudo.


            A Psicopedagogia trabalha com o fracasso escolar e os aspectos que conduzem a ele, o que é extremamente amplo. Por exemplo, a não-aprendizagem na escola é só uma das causas do fracasso escolar. Mas, o que pode ser considerado fracasso escolar?
            Segundo Maria Lúcia Weiss (2006), o fracasso escolar é uma resposta insuficiente do aluno a uma exigência da escola. O que pode ser analisado pela perspectiva da escola, da sociedade e do próprio aluno.
“O fracasso escolar é causado por uma conjugação de fatores interligados que impedem o bom desempenho do aluno em sala de aula.” (WEISS, 2006).
O Psicopedagogo, em seu diagnóstico, deve identificar as causas do fracasso escolar.
Para isso ele também deve levar em consideração alguns aspectos que estão ligados às três perspectivas citadas:
Aspectos orgânicos – alterações nos órgãos sensoriais, problemas do sistema nervoso (disfasias, afasias, dislexias, TDAH etc.); síndromes, e outros podem gerar dificuldades na aprendizagem escolar.
Aspectos cognitivos – ligados às funções mentais superiores também influenciam na aprendizagem.
Aspectos emocionais – o desenvolvimento afetivo está diretamente relacionado a construção do conhecimento e a sua expressão através da produção escolar. O não-aprender pode refletir algum problema relacional familiar.
Aspectos sociais – questões da sociedade onde estão inseridas tanto a família quanto a escola.
Aspectos pedagógicos – questões ligadas à metodologia de ensino, avaliação, quantidade de informação, estrutura das turmas, organização da escola como um todo.
Nessa investigação o psicopedagogo tenta compreender (de forma global) como se dá a aprendizagem e os desvios que estão ocorrendo nesse processo.
Weiss (2006, p.102) afirma: “A hipótese de organicidade indicadora de dislexia grave, TODA, TDAH e síndromes diversas, precisa ser vista com muito cuidado; necessita ser confirmada através de exames complementares aprofundados de outras áreas profissionais. Para refletir sobre as possibilidades referidas anteriormente será necessário realizar procedimentos mais específicos e detalhados na área da linguagem, do raciocínio logico, da atenção etc. para que o psicopedagogo adquira mais dados para o fonoaudiólogo, o psicólogo, o neurologista assim como para melhor orientação à família e à escola.” Com isto conclui-se que, na verdade, a Psicopedagogia é aliada da Fonoaudiologia e muitas vezes serve de integração dos outros profissionais que trabalham com o aluno. O psicopedagogo é um parceiro do fonoaudiólogo e vice-versa.
Exames complementares, confirmação de diagnóstico, reabilitação de patologias neurológicas, tratamento de síndromes, encefalopatias, alterações sensoriais etc. são algumas das competências do fonoaudiólogo que podem e devem ser solicitadas pelo psicopedagogo.
O ideal seria contar com psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo na mesma equipe.
Infelizmente, ainda há muita competição e conflito entre os profissionais, o que pode levar a um diagnóstico tendencioso. Está na hora de mudar isso pelo bem dos nossos clientes-pacientes.
(Quézia Soares da Silva)
Livro pesquisado para esta matéria e que eu recomendo para leitura:
WEISS, Maria Lúcia L. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. RJ: DP&A, 2006.

Comentários

  1. Bom dia Quezia, tbm sou fonoaudióloga. Mantenho um blog dedicado a Fonoaudiologia Educacional www.fonoaudiologia-educacional.blogspot.com.br

    Adorei sua postagem sobre a intersecção entre fonoaudiologia e psicopedagogia. Penso assim como vc, há espaço para ambos olhares.

    E mais...sobre a psicopedagogia, percebi que as melhores experiências que tive foram com graduados em pedagogia e pós graduados em psicopedagogia. Estes foram os que melhor respeitaram as áreas de cada um.

    Gostei mto do seu blog, voltarei mais vezes!

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  2. Olá, Danielle! Gostei de saber que nossos colegas da área Pedagógica sabem respeitar nosso trabalho!
    Visitei seu blog e amei!!!
    Obrigada pelo seu comentário!
    Beijinhos...

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  3. Gostei. . Sempre me perguntam isso ... mas já tem psicopedagoga não precisa da fono. . E etc..

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    1. Oi, Gleucy! Fico feliz se consegui ajudar um pouquinho... Obrigada pelo seu comentário!

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  4. Muito importante e esclarecedor este artigo sobre as duas especialidades que são de extrema importância na vida de todos.
    Para mim em especial que atuo como professor de canto e letras sei das dificuldades e do que esses profissionais podem realizar. Mais artigos e mais divulgações como essas para que possamos aprender. Parabéns!!!!!

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  5. Muito bom e esclarecedor este artigo explicando as diferenças de cada área e sobre sua importância na vida de todos.Parabéns!!!!

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    1. Obrigada pelo seu comentário, Vanderlei! Bom saber que esse artigo é útil! :)

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