sexta-feira, 9 de março de 2012

Fendas Fusiformes

Fenda fusiforme ântero - posterior




Causas que justificam as fendas fusiformes: sulco vocal; senilidade; causas iatrogênicas; distúrbios neurológicos; paralisia bilateral de CT na tentativa de produção vocal aguda.

Definição: na fenda ântero-posterior a imagem de fuso amplia-se ao longo da glote, sem região de contato. Pode haver hiperconstrição do vestíbulo na tentativa de corrigir o espaço glótico (Behlau & Pontes, 1995). Gera voz rouca e áspera, desagradável, podendo apresentar bitonalidade e gerar fadiga vocal.

Prognóstico: em termos de normalização da voz é precário (exceto casos de fadiga vocal transitória).

Sulco vocal – voz aguda, com pitch considerado grave (devido mascaramento da frequência fundamental causada por intensa rouquidão e soprosidade). A ênfase do trabalho é a realização de exercícios em escala e projeção vocal. Melhor evitar exercícios de pushing, porque as aritenóides estão próximas, o que poderia causar ulcerações ou granulomas.

De modo geral, as fendas fusiformes são beneficiadas com produção em falsete (porque permite o alongamento passivo do TA) aquecendo a musculatura envolvida, preparando-a para a atividade de contração.

Exercícios de sustentação da emissão vocal, isométricos, de semitom em semitom – eficazes no condicionamento da musculatura laríngea (Pinho, 1998), permitindo melhorar a resistência vocal. Manutenção da emissão por 10 a 20 segundos.



Exercícios isotônicos alternando graves e agudos em curta duração – para maior flexibilidade muscular.

O uso do vocal fry para fendas fusiformes  por sulco vocal ou iatrogenia pode ser útil (se o paciente conseguir produzi-lo), pois prioriza a atividade do TA.

Exercícios de vibração – talvez auxiliem mobilização da mucosa rígida ajudando também para uma melhor adução glótica.

Senilidade – frequentemente se manifesta por atrofia das pregas vocais e seu arqueamento. A ênfase do tratamento pode ser semelhante aos casos de sulco vocal.

Exercícios de melodia e sustentação da emissão vocal – para fortalecer a musculatura intrínseca da laringe, principalmente os tensores das pregas vocais.

Exercícios de vibração e hidratação do organismo são altamente recomendados em casos de senilidade.

Causas iatrogênicas – são o resultado de sequelas cirúrgicas e costumam acarretar aspereza vocal (devido rigidez de mucosa) e rouquidão (devido irregularidade vibratória, soprosidade e fenda glótica) – Fundamentais: exercícios de escala dos graves aos agudos, sustentação da emissão, vibração e projeção vocal.

Paralisia bilateral de CT – não é tão comum, mas pode decorrer de quadros pós-cirúrgicos de tiroidectomia, quando houve lesão bilateral do nervo laríngeo superior. O prognóstico é ruim. A terapia deve enfatizar exercícios de condicionamento muscular dirigido ao músculo TA, suporte respiratório e escalas. Nesta situação o paciente não consegue ultrapassar a região de sol central, onde é fundamental a ativação do músculo CT para continuidade da escala em direção aos agudos.

Fadiga vocal extrema – apesar de ser considerada orgânica, a fenda fusiforme pode ser encontrada em quadros agudos, em caráter transitório, imediatamente após abuso vocal intenso. Logo após episódio abusivo as pregas vocais podem apresentar-se arqueadas com irregularidade vibratória, rouquidão e momentos de diplofonia. Nesse caso o tratamento é repouso vocal. O quadro funcional, após as devidas precauções, pode durar 24 horas.

Bibliografia:

PINHO, Silvia. Fundamentos em Fonoaudiologia. Tratando os Distúrbios da Voz. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2003.

BEHLAU & PONTES. Avaliação e Tratamento das Disfonias. Editora Lovise. SP, 1995.


8 comentários:

  1. Muito bom. Exelente explicação, me ajudou bastante.

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    1. Obrigada, Arnaldo! Já estava ficando desanimada! Seu comentário me deu estímulo para continuar com o blog. Meu objetivo é realmente ajudar. Um abraço!

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  2. Excelente abordagem...tow curtindo o blog!

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    1. Obrigada, Marcelo! Fique a vontade para deixar sugestoes e criticas. Abc.

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  3. Ótimo blog,parabéns!
    Sou fonoaudióloga e não tenho muita experiência em voz,atendo pela prefeitura e "tenho" que atender todos. Assim,tenho estudado muito voz,sua postagem me ajudar a ter certeza que estou no caminho correto. Obrigada.

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    1. Obrigada, Kamilla! Esse blog nasceu desse post sobre fendas fusiformes. Eu escrevi para uma amiga que precisava de ajuda nessa área. Fico feliz que outros fonoaudiólogos sejam beneficiados também. Para você que precisa se aprofundar em Voz recomendo o livro da Mara Behlau e Paulo Pontes que consta na bibliografia. É um pouco caro, mas vale o investimento. Você vai consultá-lo enquanto trabalhar com Voz. Um beijinho...

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  4. Olá pessoal, eu gostaria de compartilhar esse problema com vocês, Eu tenho 20 anos e desde dos 13 que canto, e desde dos 17 que sou professor, e diante de tudo isso, acarretou uma doença nas minha pregas, Fenda Fusiforme em toda extensão. descobri a doença a exatamente três meses atrás, e desde de então venho fazendo "tratamento" com a fono, porém não percebi nenhum avanço .. Cantar pra mim é algo mt forte, transponde as barreiras da minha vida, se eu não louvar eu deixo de existir, e só eu, Deus e minha namorada sabe o como está sendo difícil pra mim. O meu sonho seria fazer uma pequena cirurgia para assim, poder resolver logo esse problema de vez, e voltar a poder cantar. Quem souber de algum tratamento que possa ajudar, por gentileza entre em contato comigo, estarei aguardando, desde de já agradeço . EMAIL: rodrigo.ravo@gmail.com Abç!!!

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    1. Oi, Rodrigo! Entendo bem o que você está sentindo... Como profissional recomendo que você tenha um pouco mais de paciência. A cirurgia nem sempre é indicada. Depende muito das causas que levaram à fenda. Se for só por uma fadiga vocal o prognóstico é bom. Mas, se tiver outras causas pode ser que você não volte a cantar como antes. Contudo, minha fé diz: aquilo que ao homem é impossível é possível para Deus. Não desanime! Meu conselho é: busque a opinião de outros profissionais. Mas, cuidado! Alguns não são especialistas. Procure especialistas em Voz que sejam experientes. Aqui no RJ temos um otorrino muito bom chamado dr. Marcos Sarvat. Ele tem uma equipe excelente. Mas, no Hospital Pedro Ernesto (da UERJ) tem uma equipe muito boa também (pelo que me informaram). Não desista! Que o Senhor te abençoe e te cure!

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