Afetividade e Cognição em Vygotsky

Afetividade e Cognição em Vygotsky



As dimensões afetiva e cognitiva do funcionamento psicológico que antes eram vistas de forma separada hoje, são reunidas numa tentativa de visão holística do ser humano.

Os aspectos mais explorados por Vygotsky são referentes ao funcionamento cognitivo:
  • a centralidade dos processos psicológicos superiores no indivíduo;
  • o papel dos instrumentos e símbolos no processo de mediação entre o sujeito e o objeto de conhecimento;
  • as relações entre pensamento e linguagem;
  • a importância dos processos de ensino-aprendizagem para o desenvolvimento;
  • a questão dos processos metacognitivos.
Marta Kohl de Oliveira (1992) chama a atenção para o fato de Vygotsky nunca ter usado o termo "cognição" e sim, "função mental" e "consciência". Ele referia-se a processos como pensamento, memória, percepção e atenção. Fazia também distinção entre "funções mentais elementares", por exemplo, atenção involuntária e "funções mentais superiores", como atenção voluntária e memória lógica.


É importante compreender que para Vygotsky não há como separar essas funções, porque sua essência é a inter-relação umas com as outras. Essa ênfase se reflete na sua compreensão de consciência, cuja organização aplica-se ao afeto e intelecto. Não há como separar o afetivo do cognitivo.

"O pensamento tem sua origem na esfera da motivação, a qual inclui inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção." (OLIVEIRA, 1992). Ou seja, para compreender o pensamento de uma criança é necessário entender sua base afetiva e volitiva. Por exemplo, em caso de atraso de linguagem deve-se investigar a relação com os pais, verificar se há a vontade de se comunicar ou não e a forma de comunicação.

A consciência tem a importante função de orientar o sujeito no mundo e regular o comportamento. Forma-se durante a história social do ser humano e o desenvolvimento da linguagem.

O processo de formação da consciência no indivíduo é o mesmo processo de internalização, ou seja, ele organiza seu pensamento e regulamenta seu comportamento a partir de reflexões sobre o mundo exterior. Por isso, pais equilibrados e não condescendentes ajudam seus filhos a construírem uma boa consciência e a crescerem sabendo como se orientar no mundo e como agir diante das diversas situações vividas diariamente. O filho levará esse ensinamento por toda a vida.

Conclui-se que, na prática fonoaudiológica, não há eficácia em aplicar exercícios para estimular as funções mentais superiores (pensamento, memória, percepção, atenção) sem dar a devida importância à afetividade. Não só em relação às crianças, mas também ao adulto e idoso com sequelas neurológicas.



Referência bibliográfica:

LA TAILLE, Yves; OLIVEIRA, Marta Kohl de e DANTAS, Heloysa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. SP: Summus, 1992

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